Tenho pensado no quanto algumas pessoas conseguem aprender com suas experiências de vida, mais especifícamente as relações interpessoais.
Temos a mania de achar que o amor é algo muito intimista, melhor ainda, o quanto ele é intimativo. Como ele pode ser ao mesmo tempo tão individual e tão nescessário da outra parte. Nunca estamos satisfeitos em amar só por amar, pelo simples fato de termos carinho pela outra parte, seja a outra parte um amigo , um amante, um parente, um mendigo... Temos aquele sentimento egoísta da reciprocidade e, se ela não acontecer nós nos sentimos vítima deste sentimento ...como diz aquela canção...
"surgiu como um clarão, um raio me cortando a escuridão e veio me puxando pela mão, por onde não me imaginei seguir..."
Nos sentimos arrebatados por este sentimento, nos vemos surpresos por gostar de alguém que a pouco não passava de um estranho. Temos um sentimento tão grande de preenchimento na vida daquela pessoa que acabamos nos sentindo completamente necessarios no mundo desta pessoa.
Mas quando nos damos conta que aquela "indispensável presença" que acreditavamos ser não passava de um encaixe temporário, acabamos nos sentindo bobos, humilhados...E no por fim queremos abandonar aquele sentimento e principalmente aquela pessoa urgentemente...queremos nos livrar da humilhação de se comportar como alguém insubstituível na vida daquela pessoa que aos poucos [ou de uma vez só] nos prova que não passavamos de um artefato no seu mundo pelo simples ato de omitir seu sentimento em relação a nós...
Me lembro bem da madrugada que meu pai veio até meu quarto e pegou no colo e disse:
"Biscui infelizmente vc aprendeu da pior maneira que infelizmente ninguém é insubstituível...Só não entendo porque você sofre só hoje por uma decisão que você já havia tomado a dias..."
O que ele não sabia é que o que dói mais não é receber da outra parte de cara a notícia da sua insignificancia, mas de se dar conta sem sequer a outra pessoa se dar ao trabalho de nos dizer.
Por isso, penso hoje que poderia evitar muito aborrecimento com uma relação sincera com a outra parte.Poderia ter crescido muito mais se houvesse uma comunicação clara entre nós, não precisamos dar uma de Jesus e tirar lições de situações porque a outra parte ,ou até mesmo nós, não está sendo clara.
Tenho sim plena consciencia que todos os "fantasmas da minha história" me ajudaram a montar minha personalidade, mas acredito que tudo em minha vida teria sido mais verdadeiro se as pessoas que me trataram como artefato tivessem sido claras comigo. As que me fizeram mal teriam conquistado meu desprezo, o que ajudaria a eles e a mim a evitar bastante estress, e as que me fizeram bem a conquistar minha amizade e afeto verdadeiro e profundo, pois eu gosto de fazer parte da vida dos meus amigos reais... A verdade é que se soubessemos com clareza o que se passa na outra parte conseguiriamos amar verdadeiramente, sem aprisionamento e sem esperar nada em troca...e é o que me acontece atualmente...
CLAREZA É A CHAVE DE TUDO!
"A MAIORIA DE NÓS PREFERE AMAR A SER AMADO
E A DURA VERDADE É QUE , SECRETAMENTE,
A CONDIÇÃO DE SER AMADO É INSUPORTÁVEL PARA MUITOS.
O AMADO TEME E ODEIA O AMANTE,
E COM TODA RAZÃO.
O AMANTE NECESSITA DESEPERADAMENTE DA RELAÇÃO COM O AMADO,
MESMO QUE ESTA EXPERIÊNCIA NÃO LHE CAUSE SENÃO SOFRIMENTO"